MISSÃO DO CUANDO – Nossa Senhora das Vitórias

 

A Missão do Cuando foi fundada em 1910 por Monsenhor Luís Alfredo Keilling, com pessoal vindo de Caconda, mas nasceu no Huambo, no lugar onde hoje se encontra a Câmara de Nova Lisboa. Todos sabiam que ali, algures haveria uma estação do Caminho-de-ferro e que uma povoação não tardaria a nascer perto da estação. Mas onde, exactamente?.. Foi a Direcção do Caminho de Ferro de Benguela (CFB) quem avisou o Reverendo Padre Prefeito de que o lugar, onde se estava a instalar a missão era na área da futura cidade. A transferência do Huambo para o Cuando (a uns 18 km) fez-se de Junho a Novembro do ano de 1911. Não custa compreender como é que o Cuando satisfazia todas as condições requeridas para estabelecer a missão: fora da cidade e perto dela, junto de um rio e de uma queda de água, e no meio de uma região muito povoada. Era realmente o local almejado, como escreve Monsenhor Luís Alfredo Keiling. «Quando em 1920, continua, fui à Europa, já pude deixar ao Padre Vieira, construídas as casas todas, que ainda hoje formam a Missão do Cuando». Esta última frase era verdadeira em 1932, mas já o não é hoje. É que a maior parte das casas construídas em 1911 já foram demolidas. Há hoje uma magnífica residência construída pelo Padre Francisco Valente, ergueu-se uma linda e grande igreja, que certamente é das mais importantes da Diocese. A data da fundação a área do Cuando era imensa: confinava com o Bailundo e o Sambo, não tendo limites nas outras direcções. Os seus missionários trabalharam com zelo admirável: trataram de estabelecer catequistas nas aldeias, fundando aí escolas da catequese, que visitavam assiduamente, para vigiar, repreender e animar os cristãos, estimulando ao mesmo tempo o zelo dos catequistas. Escreve Monsenhor Keiling que em 1932 eram 450 essas escolas.

Ocuparam-se também os missionários do Cuando da cristandade branca de Nova Lisboa nascente. Todos os Domingos lá ia um para lhes celebrar a Missa. Os baptizados e os casamentos fizeram-se na missão até 1932. O zelo do Padre Domingos Vieira Baião, sobretudo, não se satisfazia com o apostolado nas aldeias e na cidade. Visitava frequentemente as pequenas povoações nascidas ao longo da linha do Caminho de Ferro de Benguela e fez construir capelas em todas até à fronteira. No dia da Festa do Padroeiro lá estava, acompanhado às vezes da sua banda de música dos rapazes do Cuando. A festa constava sempre de missa, procissão, sermão, comunhão das crianças e confirmação. Pela acção missionária dos padres do Cuando, fecundada pela acção do Espírito Santo, a alma de todo o apostolado, a Missão do Cuando desenvolveu-se extraordinariamente e, como é natural, desmembrou-se. A primeira filha a emancipar-se foi a Paróquia da cidade de Nova Lisboa em 1932. Foi seu primeiro pároco o bondoso Padre José Terças, que morreu prematuramente na Missão do Galangue em 1935. Separou-se a Missão do Galangue em 1935, seguiu-se a Missão do Canhe em 1942 e, mais tarde, a Missão do Longonjo e da Quissala. Cedeu também escolas às Missões da Gandavila e Vila Nova. A vitalidade de uma missão avalia-se pelas missões novas que gera e que dela se desmembram, assim como também pela qualidade da fé e da vida cristã dos seus cristãos e sobretudo pelos sacerdotes que dentre os seus filhos se ordenam e que Deus escolhe para seus ministros. A Missão do Cuando conta hoje com muitos sacerdotes entre os seus filhos. Possuindo a Companhia do Caminho de Ferro do Lobito — Katanga, as suas oficinas centrais recebem energia para funcionarem e uma iluminação da central-eléctrica instalada dentro das propriedades da Missão. Razão pela qual desapareceram o moinho e outras dependências, mas a companhia indemnizou principescamente. Desde a sua fundação trabalharam nesta missão, prestando óptimos serviços na formação dos nativos e no dispensário, as Irmãs do Santíssimo Salvador. Não podemos citar os nomes de todos os números missionários que aqui trabalharam, citamos ao menos alguns: Monsenhor Luís Alfredo Keilling, Padre Domingos Vieira Baião, José Feltin, José Sutter, Tiago Hendriks, Delfim da Silva Pedro, Cornélio Kok, Domingos Rufino, Domingos Tchamolehã, André Calupesi aos actuais missionários senhores Padres Antoine Roger Ekoto e José Maria Monteiro.

Actualmente a missão conta com sete Centros e 42 Catequeses. A guerra que assolou o País por quase três décadas deixou grande parte das infra-estruturas da missão destruídas cujos escombros ainda permanecem e carecem de restauração para o regresso a sua funcionalidade normal sendo que a Escola até então em funcionamento merece uma ampliação tendo em conta o nível de classes que se elevou até ao I Ciclo do Ensino Secundário em 2009.